quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ryan Adams - Ashes & Fire (2011)

Não é segredo para ninguém a minha admiração pelo jovem Adams. Desde a época do Whiskeytown que fico sempre atento a seus lançamentos. Para mim ele é definitivamente, ou foi, a reencarnação (isto é o mais católico que posso chegar) de Gram Parsons, outro cara que admiro muito. Sua música sempre foi uma combinação de suas raizes(Jacksonville) “sertanejas” leia-se country/bluegrass/Nashville sounds + whisly + drogas + coração partido + rock e claro, boas companhias. Já gravou um dueto com Emilou Harris fazendo um cover do Parsons enfim, é um grande cara.

Agora careta(sóbrio) completamente lançou o aguardadissimo (pelo menos ali em casa) Ashes & Fire um disco que jornalisticamente diríamos volta as raízes (sim, eu utilizei um emulador de resenhas) e quebra sua parceria com o Cardinals, banda com a qual vinha gravando seus últimos trabalhos. Dizer que é um álbum excelente seria um exagero mas, ele tem momentos incríveis. A gravação, produção do disco é de um rigor extremo e ficou a cargo de Glyn Johns. Os microfones captaram tudo de forma belíssima e a voz de Adams está melhor do que nunca e tudo foi feito com o maior primor possível. Muita coisa denota para um disco acústico com pianos, violões, violinos tudo em quase primeiro plano, perdendo apenas para as vozes.

O disco abre com Dirty Rain que caberia perfeitamente em um disco do Whiskeytown e claro que já falei mas, repetirei, a voz dele está muito boa. Nunca saberemos se é a falta das drogas, da bebida e tudo mais, eu nunca acho que isto vem para o bem em um artista mas, ele está muito bem, seja lá qual for a técnica/fuga que utilizou. Ashes and Fire, que dá nome ao disco é definitivamente a melhor. Não sei se existe mas é uma valsinha country, música pra tocar numa festa de debutantes em Nashville e coloca Ryan mais uma vez no patamar dos grandes compositores e músicos da cena sulista e country norte-americana. Come Home é uma baladinha, outra que caberia muito bem no Whiskeytown e parece aquelas músicas de fim de filme, chamando alguém de volta para casa. É um convite a alegria e o fim de um exílio mesmo que seja apenas dentro de si mesmo e isto diz muito já que recentemente citou em entrevistas que por muitos anos virou um personagem em sua própria vida. Atuou como fantasma e muito disso pode ser resultado de uma vida ou temporada de excessos. Em sua vida sempre passou por altos e baixos, ora extremamente feliz e hora em completa depressão, corações partidos e uma briga até com a música e com o público.

Recentemente ameaçou largar completamente a música devido a problemas sérios de saúde, ainda bem que desistiu desta burrice. Alie a isto o fato de sua avó (que o criou) ter morrido durante a elaboração do disco e pouco antes ter ligado para Adams pedindo (Come Home) que ele voltasse para casa para que ela o visse, antes de morrer.
A cantora e pianista Norag Jones tocou piano no disco e participou da criação de 3 faixas, Come Home, Save me e Kindness. Além dela, o guitarrista dos Cardinals e sua esposa Mandy Moore participaram, ele como guitarrista e ela fazendo os vocais de apoio.

Para resumir um pouco, é um grande álbum. Uma pessoa despreparada/desacostumada a country music talvez se sinta um tanto deslocada ouvindo ele mas para os amantes da boa música e desnudos de preconceito uma verdadeira pérola.


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