domingo, 29 de agosto de 2010

All The Saints "Fire On Corridor X" (2008)

Com ecos e estilhaços de bandas como Loop, Sonic Youth, Spaceman 3, My Bloody Valentine eis que All The Saints, banda americana de Atlanta formada por Titus Lambert, Matt Brown e Jim Crook invade nossas páginas com seu debut lançado em 2008, pela gravadora Touch And Go Records. Unindo elementos gritantes de rock psicodélico, noise, pitadas de shoegazer e alt rock em uma fusão coesa, a banda surge como uma verdadeira surpresa até meus ouvidos, causando uma hipnose em tamanho grau como há muito não presenciava. Guitarras estridentes, chapadas, dilacerantes, mágicas, alucinógenas, feedbacks desconcertantes, bateria e baixo em extrema sintonia, vocais flutuantes e largados na medida exata. Poderia ficar por horas exaltando esta maravilha, mas prefiro deixá-los provar pessoalmente o gosto desta banda que certamente entrou para o meu topo como uma das bandas mais perfeitas surgida neste final de década. "Shadow, Shadow", Sheffield", "Farmacia", "Regal Regalia", "Hornett", "Papering Fix", "Leeds", Fire On Corridor X", "Outs" e "Mil Mil", dez canções feitas para estourar as caixinhas de seu som e estraçalhar a alma com tamanha urgência e demência. Obrigatório, obrigatório e obrigatório!!!


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Crime And The City Solution "Room Of Lights" (1986)

Crime And The City Solution foi uma banda post-punk, experimental, art-punk formada na Austrália pelo cantor e compositor Simon Bonney no ano de 1977. A banda possuiu quatro line-ups diferentes durante sua trajetória que durou até 1990, e isto incluiu membros do The Birthday Party (Mick Harvey e Rowland S. Roward), do Swell Maps (Epic Soundtracks) e do Einstürzende Neubauten (Alexander Hacke). Ao todo lançaram quatro ótimos discos de estúdio e uma série de EPs, alcançando certa notoriedade pelas atuações ao vivo, onde a aparência delicada de Bonney contrastava com a obscuridade e profundidade de sua poderosa voz. Para fãs do mestre e gênio Nick Cave, este será um prato cheio, pois as semelhanças são gritantes, mas sem ofuscar o brilho próprio da banda em momento algum. Seja bem vindo a mais um dos infernos autralianos submerso em escuridão e atmosferas descontruídas de blues e paranóia total.
Obs.: O vídeo postado refere-se a uma aparição da banda no filme Wings Of Desire (1988) de Win Wenders, fã confesso do Crime And The City Solution. 






The Vandelles "Del Black Aloha" (2009)

Após duas semanas longe da casa, eis que retorno com uma das bandas mais bacanas surgidas neste final de década. The Vandelles é o nome deste comboio surgido em Nova York e formado por Jason Schwartz, Suzanne Pagliorola, Lisha Nadkarni, Christo Buffam e David M. Herbert. Suas explosões sonoras, bombas de puro catarse fuzz e noise são uma espécie de experimento feito em um liquidificador onde jogarão em profusão doses cavalares de Link Wray, The Jesus And Mary Chain, The Ronettes, My Bloody Valentine, Buddy Holly e The Ramones e o resultado foi um delirante e ácido disco Noise-Surf-Psych-Shoegazer-Garage-Rock-Noir de estremecer as paredes da alma. O resultado deste debut dos americanos do The Vandelles são 12 canções brilhantes que certamente estão entre meu top de discos mais fodas lançados durante o ano passado e de todos os tempos. Aconselhadíssimo e obrigatório até a medula!!!Nota 10.




terça-feira, 10 de agosto de 2010

Badhoneys "Restart To Fail Again EP" (2010)

Com extremo ênfase ao que de melhor havia na década de 90 na cena alternativa norte americana e no post-punk inglês da década de 80, acentuando guitarras simples e distorcidas, baixo e bateria certeiros a vocais lânguidos e melancólicos eis que surge uma grata surpresa aos tímpanos deste que vos escreve. Badhoneys é o nome deste power trio formado em Porto Alegre em julho do ano passado por Giana Cognato (guitarras, vocais), Stefano Fell (bateria) e Rodrigo Souto (baixo), membros e ex-membros de bandas como Loomer (já postados em nossas páginas), Andina, Transmission, Dead Fingers e Girlish, ambas bandas extremamente fundamentais na cena alternativa gaúcha, esta que cresce gradualmente e nos maravilha a cada nova surpreendente descoberta e surgimento. Neste seu primeiro trabalho intitulado "Restart to Fail Again" o clima intimista impera em fusão as letras sobre temas universais da dor, como a própria Giana descreve em entrevista a RadioMicrofonia. As influências ficam a cargo de nomes geniais como P.J. Harvey, Nirvana, Joy Division, New Order, Pixies e Dinosaur Jr e a sonoridade sempre oscilando entre a beleza amarga e a aspereza mergulhada em raiva e angústia capta e exerce um magnífico resultado em 5 canções energéticas e introspectivas como em um renascimento magistral e despretencioso, uma exaltação visceral da alma e essência  alt rock noventista. "Vulnerable", "Runaway", "Lastday", "B Sad" e "Pisces Eyes", são verdadeiras pérolas, deleite puro e obrigatório aos ouvidos e corações. Genialidade e estréia esmagadoras!!!

Obs.: O link para download segue em anexo a ótima entrevista já citada acima no site da RadioMicrofonia.







quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Radio Dept. (Discografia Incompleta: LPs)

Radio Dept. "Lesser Matters" (2003)

Radio Dept. "Pet Grief" (2006)

Radio Dept. "Clinging To A Scheme" (2010)

Atendendo sugestões, mais precisamente ao novo amigo da casa, Mauro Fabian que sugeriu "Pet Grief" do genial trio sueco Radio Dept, e prolongando esta postagem com os outros dois álbuns de estúdio da banda, trago até vocês este trio vindo de Lund, na Suécia e suas composições assombrosas feitas por Johan Ducanson, Martin Larsson e Daniel Tjäder. O Radio Dept., que está junto desde 1995 apesar de hiatos e algumas trocas de integrantes, conseguiu se solidar como uma das bandas mais bacanas da última década unindo indie-rock, indie-pop, dream-pop, shoegazer e twee-pop com maestria e influências de bandas como Pet Shop Boys, My Bloody Valentine, Saint Etienne, New Order e Cocteau Twins em uma junção belíssima de sonoridades delicadas e precisas feitas com o coração e a alma, é como se os sonhos pudessem ser verdadeiramente musicados tais como surgem. Sensacional!!!
Os EPs da banda podem ser adquiridos no super blog Amor Louco, juntamente a uma resenha fantástica sobre a banda.  




terça-feira, 3 de agosto de 2010

Superchunk "Come Pick Me Up" (1999)

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Post em homenagem ao desastroso last weekend passado em Porto Alegre, que apesar das bebedeiras homéricas foi regado a muita música boa, e uma das bandas mais ouvidas, cantadas e repetidas destes dois dias de loucura foi o Superchunk e seu maravilhoso e assoviável sétimo álbum de estúdio intitulado "Come Pick Me Up", lançado em 1999 pela cultuada gravadora Merge Records, selo independente fundado por Mac MacCaughan (vocalista e guitarrista da banda) e pela baixista Laura Ballance, ambos também fundadores desta banda que exprime como poucos o verdadeiro espírito indie-punk-alt-rock dos anos 90. A banda surgiu em 1989 em Chapel Hill, Carolina Do Norte e ajudou a firmar a cena musical super fértil e a cultura alternativa de lá, tornando-se um dos expoentes mais importantes da década de 90, compondo canções simples, com guitarras expressivas e cheias de energia, elevando ao máximo a ética punk baseada no "Dot-It-Yourself". Canções memoráveis e aconselhadíssimas para qualquer pessoa que queira entender o verdadeiro espírito do alt rock que era feito há duas décadas atrás. A banda ainda está na ativa e aconselho também todos os outros trabalhos por eles produzidos. Banda prediletíssima da casa!!!
Obs.: Postagem ao grande amigo Johnny, que sempre me aguenta mesmo passando dos limites...


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Gregor Samsa "55:12" (2006)

Com o nome inspirado no principal personagem da novela "A metamorfose" do gênio do teatro do absurdo, Franz Kafka, a banda Gregor Samsa, surgida na Virginia, Eua em 2000 surge aqui no blog para lavar-nos a alma com sua notável delicadeza em canções que unem o post-rock, shoegaze e slowcore de forma única. Atualmente a banda conta com oito integrantes: Champ Bennett, Billy Bennett, Nikki King, Jeremias Klinger, Cory Bise, Bobby Donne, Myke Ashley e Mia Matsumiya. Sua curta discografia conta com três albuns de estúdio e três EPs, sendo "55:12" seu debut lançado seis anos após o ínício da banda. Em sua sonoridade submersa em sonhos e embebida em viagens atmosféricas, a banda produz um transe quase hipnótico utilizando também instrumentos clássicos de forma precisa a suas mágicas canções. São oito petardos de uma beleza incomum beirando o silêncio em timbres desconcertantes feitos para inebriar a alma. Anestésico de primeira qualidade.


terça-feira, 20 de julho de 2010

Brainbombs "Urge To Kill" (1999)

Comboio sueco formado na cidade de Hudiksvall no ano de 1985. Seus membros são: Dan, Peter, Jonas, Drajan e Lanchy, sendo este quinteto responsável por verdadeiras pedradas catatônicas sonoras. Canções fundidas entre o noise, punk, no-wave, experimentalismo com vocais desafinados, guitarras repetitivas e estridentes e letras em tom semelhante aos escritos de Peter Sotos, envolvendo sadismo sexual e pornografia. Aconselhado para fãs de Dead C, Harry Pussy, Drunkdriver, The Birthday Party e Drunk With Guns. Desconstrução total em ondas noise viciantes e cerebrais, barulho de primeira para aficcionados por esquisitices violentas em estado primal. Fodástico!!!
Obs: Como não foi possível encontrar nenhum vídeo relacionado a este álbum, deixo um clássico da banda chamado Jack The Ripper Killer, uma amostra do poder de fogo dos caras...






segunda-feira, 19 de julho de 2010

Pia Fraus discografia

Pia Fraus "Wonder What It's Like" (2001)

Pia Fraus "In Solarium" (2002)

Pia Fraus "Sailing On A Grapefruit Lake" (2005)

Pia Fraus "Nature Heart Software" (2006)

Pia Fraus "After Summer" (2008)

Pia Fraus é uma banda de Tallin, Estônia formada em 1998 por Eve Komp (vox, synth), Kärt Ojavee (synth), Rein Fuks (vox, guitar), Tõnis Kenkmaa (guitar), Reijo Tagapere (bass) e Marguss Voolpriit (drums). Sua sonoridade é algo entorpecente, único e encantador, uma fusão entre My Bloody Valentine, Slowdive, Broadcast e Stereolab, com uma doçura submersa em sintetizadores divinos, canções feitas para flutuar e esquecer do mundo. Além destes 5 álbuns de beleza e genialidade supremas, a banda lançou 2 EPs também super aconselhados: Plastilina (2003) e Mooie Island (2004). Shoegaze, dream-pop e indie-pop de altíssima qualidade e indicados para fâs de Moose, The Boo Radleys, Astrobite e Airformation. Nota 10 para uma das bandas mais bacanas da última década. A pequena amostra da competência e maestria da banda fica através do vídeo de "400 & 57", a abertura do assombroso "In Solarium", um dos meus discos preferidos da banda e um dos mais aclamados pelos fãs deste sexteto altamente inebriante. 

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Slipstream "Self Titled" (1995)

Slipstream foi formada em 1994 após a saída de Mark Refoy do genial Spiritualized. A banda também era composta por Ian Anderson, Gary Lennon, Steve Beswick e ocasionalmente por Jonny Mattock que havia abandonado as baquetas do Spiritualized no final daquele ano. Ligações com o comboio Spaceman 3 e todos seus frutos aterradores são inevitáveis, uma vez que Refoy e Mattock já fizeram parte da banda anteriormente. Hoje em dia constam na banda apenas Refoy e Mattock da formação original. Apesar de aterrissarem em ares um pouco mais pop do que Spiritualized, soando algumas vezes como Mojave 3 e com o dreamier do Slowdive, a banda não desmerece a nobreza em momento algum, pelo contrário, garantem a genialidade da linhagem que provém das cultuadíssimas e já citadas Spaceman 3 e Spiritualized, bandas estas responsáveis por clássicos absolutos de loucura e sonoridade incomparáveis. Canções como "Harmony", "Riverside", "Pulsebeat", "One Step Ahead", "Sensurround", "Computer Love", "Sweet Mercy", "Feel Good Again", "Sundown", "She Passes By", "Feel Good Again 2" e "Drone In 'A'" são petardos viciantes e encantadores para a mente e ouvidos, destilando psicodelia e dream pop por todos os lados concebíveis. Genial e obrigatório do início ao fim!!! 
Obs.: Como não encontrei nenhum vídeo relacionado a este disco, restou-me postar outro, mas não de menor qualidade em relação as canções citadas na resenha. Boa audição!!!